Carlos Ujhama

CARLOS UJHAMA 

Nascido na cidade de Salvador/BA, Carlos Ujhama é parte da genuinidade das manifestações e expressões culturais afro-brasileira. Da parte consanguíneo, é filho do Osi Mayê d`Osun e de uma Ekedy (cargos de extrema importância para o axé), no tradicional Terreiro Pilão de Prata (Ilê Odô Ogê), berço religioso da dinastia iniciada pelo babalaô Bámgbósé Obítikó, sacerdote de Xangô e membro do reino de Oyó. Pela veia artística, foi entregue as mãos do seu “tio KING”, para que obtivesse os melhores ensinamentos sobre as danças de matrizes afro-brasileiras, com apenas 10 anos de idade.

Obteve a sua primeira formação em dança no ano de 1996, através o Centro de Artes do SESC – BA. Atuou como bailarino na a Cia. Brasileiras de Danças Populares e a na Cia. GÊNESIS, sob a direção artística de Raimundo Bispo dos Santos “Mestre KING” (considerado o precursor da dança afro, sendo o responsável por disseminar a cultura afrodescendente por meio da dança, além de ser reconhecido no mundo das artes como o primeiro homem a ingressar no curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal da Bahia, em 1972). 

Em 1996, transferi-se para a cidade de Fortaleza/CE, onde iniciou sua jornada como performer e pesquisador das danças populares da Região Nordeste do Brasil, realizando intercâmbio com o GPTEC (Grupo Para-Folclórico e Teatral do Estado do Ceará).  Continuou sua formação como bailarino, realizando treinamento nos estilos jazz e dança contemporânea nas escolas: Rossana Pucci, Goretti Quintela, Claudia Borges e Vera Passos.

Retorna a cidade de Salvador, onde tem inicio ao seu percurso como artista popular baiano (1994 – 2000), sob a coordenação de Antonio Cozido (formado em dança pela Universidade Federal da Bahia – UFBA), onde obteve a oportunidade de trabalhar com grandes artistas da Axé Music. Integrou a companhia de Dança de Rua Suingue Afro Baiano, atuando como dançarino. Iniciou seus primeiros passos como professor de dança afro brasileira no ano de 1999, na Casa de Dança fundada por Cozido.

Integrou o grupo de extensão da Escola de Dança da FUNCEB, sob direção de Paco Gomes, junto a Cia. Trafego de Movimentos, estreando o espetáculo “Sem Compromisso” no festival de Dança do Recife/1999. Durante todo o período de atuação com a Cia. Trafego, participou efetivamente das atividades da escola e do grupo, em diversas regiões da Bahia.

Transferiu-se para a cidade do Recife/PE, em 2000, onde viveu durante 5 anos, dedicando-se a formação na área de educação física, obtendo em 2003 o titulo de “Técnico em Ginastica” , com especialização em “Fisiologia Aplicada ao Movimento”, através da Universidade de Educação Física de Pernambuco – UFPE. Seguiu sua qualificação e formação profissional em fitness, através da Body Systems Fitness Inteligente | Les Mills, tornando-se um “BODY JAM INSTRUCTOR”.

A pluralidade rítmica e de movimentos, apresentada em seu trabalho, chamou a atenção do etnomusicólogo americano Lerry Crock, que o convidou a compor um grupo de pesquisadores brasileiros (atores, cantores, músicos e bailarinos) empenhados em decifrar os códigos e os movimentos das manifestações populares oriundas das regiões norte/nordeste do Brasil. Começa, neste momento, a descoberta do AFROSSÁ.

Com o objetivo de dar voz as descobertas, realizadas juntos ao grupo de pesquisadores, Carlos retorna a Salvador em 2006, dessa vez como estudante do curso técnico da Escola de Dança da FUNCEB.

Realiza pesquisa e direção artística para o projeto “PURE MUTT – Puro Vira Lata” (Uma pesquisa nas danças urbanas das Américas – UFBA/PPGAC). Realiza a sua primeira pesquisa internacional, em território europeu, visitando mais de 15 cidades em 8 países.

Retorna ao Brasil e finaliza a sua pesquisa na cidade de Belém do Pará, onde participou da 10° edição do EIDAP – Encontro Internacional de Dança do Pará.

Implementar na Escola de Dança da FUNCEB (Fundação Cultural do Estado da Bahia),
durante 2007 seu processo de pesquisa / ação intitulado AFROSSà e cria a Cia. Contemporânea de Intervenção Urbana. Em 2008 começa a espalhar este trabalho pelo resto do Brasil e Europa, através de vários
intercâmbios com grupos acadêmicos, associações culturais e de educação artística realizando cursos, seminários, palestras e workshop na Itália, Suíça, Espanha, Inglaterra, Dinamarca, França.

Em 2009, retorna a cidade de Paris e realiza a direção do festival “Paris danse Le Bresil – Meu Brasil”, realizado no Theatre du Menilmontant.

No ano de 2010, o trabalho realizado pela AFROSSà Cia. Contemporânea de Intervenção Urbana obteve o reconhecimento como uma “Expressão Afirmativa da Identidade Negra da cidade de Salvador/BA, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia/CCPI, no campo da dança e música afro-descendente, com base no programa de implementação de valores proposto pelo Ministério da Cultura do Brasil, dentro de um proposta da UNESCO. 

Em 2011, transferi-se para a Itália com o objetivo de divulgar o trabalho do AFROSSá, na Europa, apresentando o modelo utilizado por artistas populares, profissionais de dança e teatro, pesquisadores e estudantes acadêmicos da cidade de Salvador na promoção e na a construção de uma linguagem universal para o mundo das artes, baseada nas manifestações e expressões afro-brasileira.

Na atualidade:

  • Fundador do IABACE | 2017.
  • Membro do Conselho Internacional de Dança CID/UNESCO | 2014.
  • Diretor artístico, coreografo e professor de dança.
  • Criador da Cia. Contemporânea de Intervenção Urbana/BA, reconhecida como Expressão Afirmativa da Identidade Negra da cidade de Salvador”, através do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Bahia/SECULT-BA – BRASIL, Governo do Estado da Bahia/2010. 
  • Coordenador geral do Programa de Certificação Internacional em Arte e Cultura Afro Brasileira AFROSSÁ BDC – Brazilian Dance Concept (programa de qualificação, capacitação e formação em danças afro-brasileira, reconhecido pelo Conselho Internacional de Dança CID/UNESCO).
  • Colaborador no Spazio Seme – Centro Artistico Internazionale | Arezzo/IT, desde 2012. 

Carlos Ujhama é agente e produtor cultural com trabalhos realizados em mais de 15 países, entre América do Sul e Europa, dentre alguns:

  • “PURE MUTT Capoeira – Samba Reggae – Hip Hop” (Uma pesquisa das danças urbanas das Américas UFBA, 2006) Salvador/BA – Brasil.
  • “MEU BRASIL (Paris danse le Brasil, 2009) Paris – França.
  • “1° ENCONTRO DAS CULTURAS POPULARES E IDENTITÁRIAS DA BAHIA, 2010” Salvador, Bahia – Brasil
  • “CONTACT WAVE (AREZZO LOVE FESTIVAL, 2012, 2013) Arezzo – Itália.
  • BATALA DRUMCAMP (Santa Maria Beach 2015, 2016, 2017) Paros Island, Grécia.
  • Afrossá BDC – Summer Program Europe (Brazilian Dance Meeting, 2019)  Arezzo – Itália.

Foi descrito pelo etnólogo francês Jean Yves Loude, em seu livro “Pepitas Brasileiras/2017”, como um ser esbelto, flexível, grave, com seu rosto de esfinge coroado por tranças rastas. 

Sobre o livro:

Ágil e rigorosa, a narrativa de sua jornada desvela fascinantes complementos à história oficial, que esquece tantos e tanto: os homens e as mulheres que encontram têm em comum o fato de serem negros, descendentes de pessoas escravizadas; de terem participado, com sua coragem, criatividade e resistência, da construção da(s) identidade(s) e da(s) alma(s) brasileira(s); e de terem ficado na sombra, ou à margem. Um taumaturgo siciliano (São Benedito), a santa da máscara de flandres (a escrava Anastácia), um boxeador campeão de arte bruta (Arthur Bispo do Rosário), o advogado das quinhentas vitórias (Luís Gama), um escultor de cabeças de açúcar (Caetano Dias), a rainha literária das favelas (Carolina Maria de Jesus), o vencedor da fome (Beato José Lourenço), o dragão dos mares (Francisco José do Nascimento), o imperador das liberdades (Negro Cosme) e o educador descolonizado (Carlos Ujhama).